Reformar ou mudar?
- Arq Luciane

- há 11 horas
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Quando insistir no imóvel pode ser o maior erro do projeto

Há um momento silencioso em que a casa começa a incomodar.
Nada está exatamente errado — mas também nada está plenamente certo. A circulação parece apertada. A luz não favorece. Os ambientes não acompanham mais a rotina.
Surge então a pergunta inevitável: reformar ou mudar?
A maioria das pessoas responde rápido demais.
Reformar parece mais simples.
Mais barato.
Mais seguro.
Afinal, já existe vínculo com o lugar. Há memória. Há história. Mas nem todo imóvel permite transformação real — e é aqui que a decisão precisa ser mais racional do que afetiva.
Antes de qualquer desenho, é preciso avaliar algo fundamental: o que é estrutural e o que é superficial.
Layout pode mudar. Revestimentos podem sair. Iluminação pode ser redesenhada. Mas insolação, posição do prédio, estrutura de pilares, orientação solar, pé-direito e contexto urbano raramente se alteram de forma significativa.
Se o problema da casa é luz insuficiente, vizinhança ruidosa ou estrutura que impede reorganização espacial, talvez não seja uma questão de reforma — seja uma questão de escolha inicial.
Reformar resolve inadequações.
Mudar resolve incompatibilidades.
Existe uma diferença importante entre um espaço que precisa de ajustes e um espaço que nunca foi adequado ao estilo de vida de quem mora ali.
Insistir em transformar o que estruturalmente não atende pode gerar um projeto caro, complexo e, ainda assim, insuficiente.
Projetar começa aqui: na honestidade de reconhecer limites.
Antes do desenho, existe a pergunta difícil.
E ela não é sobre estética.
É sobre coerência.
Às vezes, a melhor decisão de projeto não é desenhar melhor — é escolher melhor.




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